Alguém se faz passar pela sua empresa: domínios parecidos, lojas falsas e emails falsificados

Alguém se faz passar pela sua empresa: domínios parecidos, lojas falsas e emails falsificados

Última verificação: 23 de outubro de 2026
13 min de leitura
Guia
Auditor de segurança

Um cliente reencaminha-lhe uma fatura que nunca emitiu. O endereço do remetente parece o seu, mas tem uma letra trocada. Ou pesquisa o nome da sua marca e encontra uma loja com o seu logótipo, as suas fotografias de produto e preços bons demais para serem verdade. Este guia segue a ordem que limita os danos: confirmar o que está a acontecer, proteger o seu correio, avisar os clientes, tirar o conteúdo falso do ar e decidir se vale a pena lutar pelo domínio. Aplica-se a qualquer site empresarial, seja WordPress, Shopify, um frontend headless ou um site estático, porque quase tudo se resolve no DNS, no registador e no alojamento, não no gestor de conteúdos.

A 22 de outubro de 2026, alguém perguntou no r/smallbusiness com que frequência as empresas são alvo de usurpação de identidade, com um domínio falso a uma letra de distância ou alguém a escrever aos clientes a fingir ser a empresa. A resposta mais útil veio de um responsável de segurança a tempo parcial:

É um problema relativamente comum. Normalmente quem trata disso é a equipa de cibersegurança, de informática ou o prestador de serviços geridos, e também se chama typoquatting. Muitas vezes vem combinado com um ataque BEC. A maioria das empresas de DMARC tem um serviço de monitorização para isto

(u/statico, r/smallbusiness, 22 de outubro de 2026, tradução própria)

BEC significa comprometimento de email empresarial: uma fatura falsa ou uma mensagem do tipo “alterámos o nosso IBAN” enviada aos seus clientes ou fornecedores. Este guia é informação prática, não é aconselhamento jurídico. Num litígio de marca ou num prejuízo por fraude, fale com um advogado.

#Domínio parecido ou email falsificado: como distinguir

Na caixa de correio os dois ataques parecem iguais, mas a solução é diferente.

Na falsificação do domínio exato, o cabeçalho From mostra o seu domínio verdadeiro, por exemplo [email protected], mas a mensagem saiu do servidor de outra pessoa. É precisamente isto que o SPF, o DKIM e o DMARC foram criados para travar.

No domínio parecido, o atacante registou outro nome: asuaernpresa.pt, asuaempresa-faturas.pt, ou asuaempresa.com quando o seu é .pt. Esse domínio tem DNS próprio, pode passar o SPF, o DKIM e o DMARC para si mesmo, e os seus registos não têm qualquer efeito sobre ele. O RFC 9989, a especificação atual do DMARC, diz que o DMARC “não trata a utilização de nomes de domínio visualmente semelhantes nem o abuso do nome de apresentação legível do RFC5322.From” (tradução própria).

Para saber qual dos dois tem à frente, peça ao cliente que reencaminhe a mensagem suspeita como anexo ou que lhe envie os cabeçalhos completos. Veja o endereço real no campo From, não o nome de apresentação, e o cabeçalho Authentication-Results. Se o domínio for o seu e o DMARC tiver falhado, alguém está a falsificar o seu domínio. Se o domínio não for o seu, trata-se de um domínio parecido.

Outra resposta na mesma discussão descreve como o problema costuma aparecer:

Descobrimos quando um cliente confuso nos reencaminhou um email de um domínio que tinha uma letra diferente do nosso.

(u/AwaisMughal-SEO, r/smallbusiness, 22 de outubro de 2026, tradução própria)

#Como saber quem está por trás de um domínio falso

Guarde as provas antes que alguma coisa mude. Faça capturas de ecrã do site falso com a barra de endereço visível, guarde os emails em bruto e anote as datas. Só depois investigue o domínio.

#RDAP e DNS

O RDAP substituiu o WHOIS como consulta estruturada. A ferramenta da ICANN em lookup.icann.org, ou um pedido a https://rdap.org/domain/example.com, devolve a data de registo, o registador e o email e telefone de abuso do registador. Os dados do titular costumam estar ocultos, o que é normal. A data de registo pesa: um domínio criado na semana passada que copia a sua marca torna mais fácil argumentar má-fé.

O DNS mostra para que é que o domínio foi preparado:

dig +short A yourcornpany.com
dig +short MX yourcornpany.com
dig +short NS yourcornpany.com

Um registo MX significa que o domínio pode receber correio, o que normalmente aponta para fraude por email, por exemplo respostas a faturas falsas. Um registo A aponta para o servidor ou a CDN que aloja o site. Faça uma consulta RDAP a esse endereço IP (https://rdap.org/ip/203.0.113.10) para descobrir o dono da rede e o respetivo contacto de abuso. Se o IP pertencer a uma CDN, o contacto de abuso é o da CDN e o alojamento de origem fica escondido por trás dela. Denuncie à CDN na mesma.

#Registos de transparência de certificados

Todos os certificados TLS de confiança pública ficam registados nos registos de Certificate Transparency, e o crt.sh permite a qualquer pessoa pesquisá-los. A imagem de destaque deste artigo é uma pesquisa real no crt.sh pelo nosso próprio domínio: cada linha mostra quando o certificado foi emitido, quando expira, que nomes abrange e qual a autoridade de certificação. Uma pesquisa pelo seu domínio revela subdomínios de que talvez já se tenha esquecido, e uma pesquisa por um domínio suspeito mostra quando o atacante obteve o certificado, muitas vezes dias antes do primeiro email fraudulento.

Pesquise primeiro o seu domínio exato, para saber o que é legitimamente seu. Depois pesquise cada variante que lhe ocorra: letras trocadas, rn em vez de m, versões com hífen, a sua marca acompanhada de palavras como “loja”, “pagamento”, “fatura” ou “apoio”, e outras terminações como .com, .net ou .com.pt. É um trabalho manual. Os serviços comerciais de vigilância de marca e muitos fornecedores de DMARC fazem isto de forma automática, como referiu o responsável de segurança na discussão.

#Como impedir que enviem emails em nome do meu domínio

Proteja primeiro o seu domínio, porque é a única coisa que controla por inteiro. Precisa de três registos DNS junto de quem gere o seu DNS, seja qual for a tecnologia do site.

  • SPF enumera os servidores autorizados a enviar correio pelo seu domínio: o fornecedor das caixas de correio, a ferramenta de boletins, o correio transacional da loja, o CRM.
  • DKIM assina cada mensagem com uma chave publicada no seu DNS. Cada serviço de envio fornece o seu próprio registo DKIM.
  • DMARC diz aos destinatários o que fazer quando uma mensagem que invoca o seu domínio falha as duas verificações com alinhamento, e para onde enviar os relatórios.

O DMARC foi publicado pela primeira vez como RFC 7489, em 2015. Em maio de 2026, o IETF substituiu-o pelo RFC 9989 (o protocolo), pelo RFC 9990 (relatórios agregados) e pelo RFC 9991 (relatórios de falhas), agora na via de normalização. Há duas mudanças com impacto na implementação: a etiqueta pct desapareceu e a nova etiqueta t=y assinala o modo de teste, em que os destinatários aplicam um nível abaixo da política publicada. O RFC 9989 acrescenta ainda np para subdomínios que não existem, o que fecha uma porta frequente à falsificação, como faturacao.asuaempresa.pt quando esse nome não existe.

Os valores da política mantêm-se: p=none não pede nenhuma ação, p=quarantine pede que o correio que falha seja tratado como suspeito e p=reject pede que seja recusado.

FaseRegistoO que faz
Monitorizarv=DMARC1; p=none; rua=mailto:[email protected]Lê os relatórios agregados, lista todos os remetentes legítimos, corrige o SPF e o DKIM de cada um
Testar a aplicaçãov=DMARC1; p=reject; t=y; rua=... ou p=quarantineVerifica se há correio legítimo que falharia
Aplicarv=DMARC1; p=reject; np=reject; rua=...O correio falsificado do seu domínio exato é recusado

A Google e a Yahoo definem o mínimo para quem envia em massa. As regras da Google, em vigor desde fevereiro de 2024, exigem a quem envia mais de 5000 mensagens por dia para contas Gmail que tenha SPF, DKIM e DMARC, com o From alinhado com o SPF ou o DKIM, e admitem que a política DMARC fique em none. A Yahoo pede aos remetentes em massa uma política DMARC válida com, pelo menos, p=none e recomenda vivamente a etiqueta rua. Ambas exigem também cancelamento da subscrição com um clique no correio de marketing e uma taxa de spam abaixo de 0,3%. Cumprir estas regras garante que o seu correio é entregue. O que trava a usurpação é chegar a p=reject, e nenhum dos dois fornecedores o exige.

Se o correio do WordPress ou da loja deixar de funcionar quando apertar o SPF e o DKIM, o nosso guia de SMTP, SPF e DKIM percorre cada remetente. Chaves de API antigas e integrações esquecidas que ainda enviam em nome do seu domínio aparecem nos relatórios DMARC; a auditoria de acessos remotos e chaves de API ajuda a descobrir quem ainda as tem.

#Como avisar os clientes de que existe um site falso

Faça-o no próprio dia, ainda antes da remoção. Um aviso curto na página inicial e no próximo email de encomenda ou de conta funciona melhor do que um comunicado extenso. Inclua:

  • o domínio ou domínios falsos exatos, escritos de forma a não serem clicáveis (asuaernpresa[.]pt),
  • o seu domínio verdadeiro e os endereços a partir dos quais escreve de facto,
  • aquilo que nunca pede por email, como a alteração de dados bancários ou uma palavra-passe,
  • como o podem contactar para confirmar uma mensagem, por um canal que o atacante não controle.

Se os seus clientes compram online, já verificam sinais por conta própria. O nosso artigo sobre como o cliente verifica se a loja online é verdadeira enumera o que observam, e esses mesmos sinais ajudam a detetar a cópia.

#Como denunciar um site falso e pedir que seja retirado

Envie as denúncias em paralelo. Cada destinatário pode agir sozinho e nenhum espera pelos outros.

  1. Registador. Use o email de abuso que o RDAP lhe deu. Os registadores reagem mais depressa a fraude do que a queixas de marca, por isso comece pelo dano aos clientes: faturas falsas, dados de cartão recolhidos, credenciais roubadas. Anexe as capturas de ecrã e os cabeçalhos dos emails.
  2. Alojamento ou CDN. Use o contacto de abuso obtido pelo RDAP do IP. Se o alojamento estiver na UE, apresente a denúncia como notificação ao abrigo do artigo 16.º do Regulamento dos Serviços Digitais. Os prestadores de alojamento têm de disponibilizar um mecanismo eletrónico de notificação, e a notificação deve conter quatro elementos: por que razão considera o conteúdo ilegal, o URL ou URLs exatos, o seu nome e endereço de email, e uma declaração de que acredita de boa-fé que a informação é exata e completa. O prestador tem de confirmar a receção e comunicar-lhe a decisão sem demora injustificada. Esta obrigação recai sobre o alojamento, não sobre o registador.
  3. Google Safe Browsing. O formulário em safebrowsing.google.com pede um URL e uma breve descrição. Quando a página entra na lista, o Chrome e os outros navegadores que usam o Safe Browsing mostram um aviso antes de a carregar.
  4. Autoridades. Comunique o caso às autoridades competentes em matéria de cibersegurança. Se algum cliente perdeu dinheiro, deve também apresentar queixa à polícia, com os emails e os comprovativos de pagamento.

Mantenha um registo de cada denúncia com a data e o número de pedido, se houver. Se o site mudar de alojamento, vai ter de enviar o mesmo pacote outra vez.

#Posso recuperar o domínio falso: UDRP, .eu e .pt

A remoção tira o conteúdo do ar, mas o domínio continua registado e o titular pode apontá-lo para outro lado na semana seguinte. Para ficar com o nome, precisa de um procedimento de resolução de litígios.

Para .com, .net, .org e os novos gTLD como .shop ou .app, o caminho é a UDRP. A orientação da OMPI (WIPO) diz que tem de provar três elementos: que tem direitos sobre uma marca, que o titular não tem direitos nem interesse legítimo no domínio, e que o domínio foi registado e é usado de má-fé. As capturas de ecrã do site falso e os emails fraudulentos são as provas de má-fé que a OMPI indica. Um processo bem-sucedido termina com a transferência ou o cancelamento do domínio.

Os domínios de código de país variam. A OMPI lista ccTLD que aplicam a UDRP tal como está e outros com variantes próprias, entre eles .eu, .es, .fr, .nl e .pl. Para .eu, os litígios seguem o procedimento ADR do .eu, gerido pelo Tribunal de Arbitragem Checo ou pelo centro da OMPI.

Para .pt, a DNS.PT indica que, num conflito sobre nomes de domínio, os titulares podem recorrer à arbitragem voluntária institucionalizada ou à mediação, nos termos da Lei da Arbitragem Voluntária. No momento do registo, o titular pode subscrever a convenção de arbitragem que designa a ARBITRARE, o Centro de Arbitragem para a Propriedade Industrial, Nomes de Domínio, Firmas e Denominações. Criada em 2009, a ARBITRARE é um centro nacional de arbitragem institucional integrado na rede apoiada pelo Estado e é competente para os litígios sobre domínios .pt sujeitos a arbitragem voluntária. Na prática, a ARBITRARE só funciona se o titular do domínio falso tiver aceitado essa convenção; caso contrário, a via são os tribunais. Confirme as regras do registo antes de avançar e, se não tiver uma marca registada, fale primeiro com um advogado, porque é no primeiro elemento que os casos fracos caem.

#Como evitar que voltem a usurpar a identidade da sua empresa

  • Registe as gralhas e terminações óbvias. O seu domínio em .pt e em .com, mais uma ou duas grafias erradas frequentes, todos redirecionados para o site verdadeiro. Sai mais barato do que um único litígio.
  • Vigie os registos de certificados com o nome da sua marca, à mão no crt.sh todos os meses ou através de um serviço de monitorização.
  • Leia os relatórios DMARC. Os relatórios agregados mostram todos os IP que enviam em nome do seu domínio, incluindo atacantes a testar a sua política.
  • Proteja as contas que controlam o seu domínio. Autenticação de dois fatores no registador e no fornecedor de DNS, e bloqueio no registador ou no registo onde estiver disponível. Quem tomar conta da sua conta de DNS não precisa de um domínio parecido.
  • Escreva o plano de resposta. Uma página com o registador, o fornecedor de DNS, o fornecedor de correio e quem decide o quê, para que o próximo incidente não comece com uma caça às palavras-passe.
SituaçãoPrimeira açãoQuem trata
Email falsificado do seu domínio exatoPublicar DMARC, passar a p=reject quando os relatórios estiverem limposQuem gere o DNS e o correio
Domínio parecido a enviar emailsRDAP, denúncia ao registador, aviso aos clientesDono da empresa e informática
Loja falsa a copiar o seu siteCapturas de ecrã, notificação ao alojamento ou à CDN, denúncia no Safe BrowsingDono da empresa e informática
Domínios parecidos repetidos com uma marca registadaUDRP, ADR do .eu ou ARBITRARE para .ptAdvogado

A nossa auditoria de segurança inclui a verificação do SPF, do DKIM, do DMARC e das contas que controlam o seu domínio, e um plano de manutenção cobre a leitura mensal dos relatórios DMARC e a vigilância dos registos de certificados.

Próximo passo

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Este bloco reforça a ligação interna e conduz o leitor para o passo seguinte mais útil dentro da arquitetura do site.

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Perguntas frequentes

Respostas práticas para aplicar o tema na execução real.

O DMARC impede que um domínio parecido envie emails aos meus clientes#
Não. O DMARC diz aos servidores de destino o que fazer com o correio que afirma vir do seu domínio exato e falha o alinhamento de SPF e DKIM. Um domínio com uma letra diferente é outro domínio, com DNS próprio, e o RFC 9989 diz claramente que o DMARC não trata nomes visualmente semelhantes. Contra domínios parecidos precisa de monitorização, pedidos de remoção e, quando se justifique, de uma disputa do domínio.
A quem denunciar primeiro uma cópia falsa do meu site#
Ao registador e ao prestador de alojamento, em paralelo. O RDAP do domínio dá-lhe o email de abuso do registador; o RDAP do endereço IP do site dá-lhe o dono da rede. Acrescente uma denúncia no Google Safe Browsing para que os navegadores comecem a avisar os visitantes e comunique o caso às autoridades competentes se houver clientes a ser enganados.
Como recuperar um domínio registado de má-fé com o nome da minha empresa#
Muitas vezes é possível, se tiver uma marca registada e o domínio tiver sido registado e usado de má-fé. Para .com, .net, .org e os novos gTLD, o caminho é a UDRP, apresentada junto de um prestador como a OMPI (WIPO). Para .eu existe um procedimento ADR próprio. Num domínio .pt, a ARBITRARE é competente quando o titular aceitou a convenção de arbitragem; caso contrário, resta a via judicial.
Posso passar logo para p=reject#
Só se conhecer todos os serviços que enviam correio em nome do seu domínio. Comece com p=none e um endereço rua, leia os relatórios agregados durante duas a quatro semanas, corrija o SPF e o DKIM de cada remetente legítimo e só depois passe a quarantine e reject. Saltar esse passo é a forma mais rápida de ver faturas e recuperações de palavra-passe dos seus próprios sistemas a serem rejeitadas.

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