Relatório WordPress em 2025: Uma oportunidade perdida para a transparência

Relatório WordPress em 2025: Uma oportunidade perdida para a transparência

Atualizado: 28 de outubro de 2026
18 min de leitura
Opinião
500+ projetos WP

A comunidade global do WordPress sempre construiu a sua força sobre alicerces de abertura, transparência técnica e debate frontal. Ao longo de mais de duas décadas, a evolução do sistema de gestão de conteúdos mais utilizado do planeta dependeu da capacidade coletiva de reconhecer fragilidades arquiteturais, discutir decisões de governança e partilhar aprendizagens sem filtros corporativos.

Por essa razão, quando surgiu no portal oficial WordPress.org o documento intitulado «WordPress in 2025 Report», a expectativa generalizada entre engenheiros de software, gestores de agências e mantenedores de código aberto era deparar-se com uma radiografia exaustiva e honesta do estado do ecossistema. Esperava-se uma reflexão estratégica sobre os marcos alcançados, os atritos operacionais e os vetores de evolução tecnológica. Em vez disso, o mercado recebeu um documento polido que mais se assemelha a uma brochura promocional para executivos corporativos do que a uma análise técnica independente do projeto.

Tal como assinalou com precisão o analista Karol Krol no portal WPShout, num artigo de 17 de fevereiro de 2025, a abordagem seletiva e as omissões flagrantes do documento oficial deixaram um sentimento generalizado de frustração. É imperativo dissecar por que razão este relatório não cumpre a sua missão perante o ecossistema e estabelecer quais os dados técnicos e estruturais que deveriam ter sido apresentados com rigor. A crítica que se segue é a minha opinião. A descrição do relatório vem do próprio relatório e do WordPress.org.


#O que diz o relatório WordPress em 2025, capítulo a capítulo

O anúncio no WordPress.org News tem data de 15 de fevereiro de 2025. Remete para um PDF cujo título completo é WordPress in 2025 and the massive enterprise opportunity it presents (o WordPress em 2025 e a enorme oportunidade empresarial que representa). O autor é Noel Tock, apresentado na publicação como coproprietário da Human Made, uma agência com o estatuto de WordPress VIP Gold Partner. O PDF tem 15 páginas numeradas e cinco capítulos.

Capítulo 1, o mercado de CMS. A tese é que a despesa dos fornecedores de CMS proprietários de “nova geração” está a esgotar-se, enquanto os orçamentos empresariais se deslocam para a IA generativa, as plataformas de dados de clientes e a cibersegurança. O relatório compara isto com o Apache a ultrapassar o Microsoft IIS durante a bolha das dotcom e com o MySQL e o PostgreSQL a ganharem terreno à Oracle durante a crise do subprime. Mostra um gráfico de financiamento de oito fornecedores (Optimizely, Contentful, Contentstack, Sanity, Bloomreach, Kentico, Storyblok e Sitecore) e cita um artigo da CIO.com segundo o qual a Salesforce ponderou cobrar 2 dólares ou mais por cada conversa com IA. O número de destaque são 34 000 commits no editor de blocos, com nota de rodapé para o repositório do Gutenberg no GitHub. Como plataformas WordPress novas ou renovadas no último ano, o relatório nomeia a NASA, a Disney, a CNN, o The New York Post, Harvard e a Amnistia Internacional.

Capítulo 2, o editor sem código. O Full Site Editing e os temas de blocos são apresentados como a forma de as equipas de marketing criarem modelos sem programadores. As recomendações são adotar o FSE, converter os temas existentes em temas de blocos e avaliar o custo a dois a quatro anos. Uma frase afirma que, em microsites e landing pages, é possível dispensar por completo as equipas de desenvolvimento.

Capítulo 3, IA. O relatório descreve um futuro ecossistema de vários agentes, independente do modelo de linguagem: cada plugin expõe um agente e um orquestrador encadeia-os. O exemplo é o pedido de uma página de contacto com um campo para carregar um PDF, tratado pelos agentes Pages, Blocks, Forms e SEO. Refere que o Drupal já apresentou um protótipo básico e admite que o WordPress, por ser um projeto de código aberto, será mais lento a lançar um ecossistema destes. Avisa também que os artigos escritos por IA produzem conteúdo mediano que não vai posicionar.

Capítulo 4, headless. O WordPress suporta projetos baseados em API através da REST API, e os sites híbridos usam modelos para a maioria das páginas e um front-end headless para as secções com mais tráfego. O Contentful Studio, o Sanity Studio e o dotCMS Universal Visual Editor são descritos como implementações básicas de um editor de blocos, e o capítulo aponta o corte no investimento publicitário da Contentful e as avaliações negativas de funcionários no Glassdoor.

Capítulo 5, conselhos. A página final prevê que os CMS de código aberto mostrem verdadeira profundidade em IA no segundo e terceiro trimestres de 2025 e recomenda um CMS híbrido para projetos empresariais com várias equipas.


#O que reflete verdadeiramente o relatório WordPress em 2025

O título «WordPress em 2025» transporta uma promessa inequívoca: fornecer uma avaliação transversal da plataforma no momento presente, mapeando a sua maturidade e antecipando os seus desafios imediatos. Pela circunstância excecional de ter sido publicado diretamente no domínio WordPress.org, o centro nevrálgico do software comunitário, qualquer leitor presumiria que o documento representasse a voz plural de dezenas de milhares de profissionais e organizações que mantêm a infraestrutura em funcionamento.

Contudo, a autoria do documento, assinada por Noel Tock da agência Human Made, direcionou o foco quase exclusivamente para o segmento enterprise e grandes marcas corporativas. O texto gasta grande parte das suas páginas a enaltecer a elasticidade da infraestrutura, a visão de um ecossistema de agentes de inteligência artificial e o prestígio decorrente do facto de organizações de renome global, como a NASA, a Disney, a CNN, o The New York Post, Harvard ou a Amnistia Internacional, utilizarem a plataforma para as suas operações críticas.

Não há qualquer incorreção em valorizar a consolidação do WordPress no segmento corporativo de grande escala. Trata-se de uma vitória técnica indiscutível que demonstra a maturidade da arquitetura LAMP e dos ecossistemas desacoplados modernos. No entanto, apresentar essa faceta restrita como a narrativa única do WordPress em 2025 constitui um exercício de reducionismo estrutural. O documento contorna deliberadamente os debates mais intensos e complexos que moldaram a plataforma nos últimos meses, entregando aos leitores uma visão pasteurizada que ignora as realidades vividas pela esmagadora maioria dos intervenientes do mercado.

Na prática de desenvolvimento e consultoria que desenvolvo na WPPoland, através dos meus serviços de desenvolvedor WordPress, observo diariamente que a viabilidade de um projeto assenta no equilíbrio entre o código base, a estabilidade das extensões e a previsibilidade da liderança open source. Omitir essas variáveis reduz a credibilidade de qualquer relatório que se intitule oficial.


#As omissões críticas que desvalorizam o relatório oficial

Aquilo que um relatório decide silenciar é frequentemente mais revelador do que as métricas que opta por evidenciar com destaque. Ao analisar o documento linha por linha, torna-se evidente um conjunto de ausências indesculpáveis que comprometem a sua utilidade para engenheiros de software e decisores tecnológicos. Uma simples pesquisa de texto no PDF mostra-o: as palavras «community», «governance», «WordCamp», «trademark» e «Automattic» não aparecem uma única vez.

#A governança do projeto e o desgaste da comunidade de contribuidores

O ano de 2024 e o início de 2025 colocaram uma pressão sem precedentes sobre a estrutura de governança do WordPress. Durante anos, o modelo de liderança centralizada funcionou sem sobressaltos visíveis, apoiado numa simbiose tácita entre a fundação sem fins lucrativos e empresas privadas do ecossistema comercial. Todavia, a ausência de mecanismos claros de representação democrática, a falta de prestação de contas sobre prioridades de desenvolvimento no núcleo e as dúvidas em torno da atribuição de recursos voluntários tornaram-se matérias de discussão urgente em conferências internacionais.

Como estão a evoluir as taxas de retenção de contribuidores voluntários nas várias equipas de trabalho (Core, Docs, Accessibility, Polyglots)? De que forma a dependência económica de patrocínios empresariais condiciona as decisões de roteiro do software? Estas são perguntas vitais para os profissionais cuja subsistência depende do ecossistema. No entanto, o relatório publicado em WordPress.org não dedica uma única linha à sustentabilidade cívica e operacional das pessoas que escrevem e testam o código diariamente.

#As disputas judiciais e a segurança do repositório de plugins

Fingir que o ambiente operacional do WordPress em 2025 permaneceu plácido e imune a convulsões institucionais é faltar à verdade técnica. O ecossistema atravessou conflitos públicos de enorme gravidade em torno do controlo da marca registada WordPress, dos termos de serviço da plataforma WordPress.org e das disputas abertas entre a liderança do projeto e grandes fornecedores de alojamento especializado, como a WP Engine.

O corte do acesso da WP Engine aos recursos do WordPress.org, a bifurcação (fork) do Advanced Custom Fields num novo plugin e a troca automática de plugin através do serviço de atualizações, descritos mais abaixo com as fontes, causaram apreensão generalizada no mercado de software europeu e norte-americano. Estas controvérsias não representam meras notas de rodapé de relações públicas; afetam diretamente a perceção de risco de conformidade e segurança em projetos corporativos. Ignorar estes factos num balanço anual abala irremediavelmente a autoridade do documento enquanto fonte primária de informação confiável.

#A pressão económica sobre pequenas empresas e agências digitais

O WordPress conquistou a sua posição porque foi, desde a sua génese, a ferramenta emancipadora de pequenos negócios, lojas de bairro, freelancers e criadores de conteúdo independentes. No entanto, o relatório oficial parece ter esquecido essa imensa base utilizadora.

Na minha leitura do mercado, em 2025 os utilizadores não corporativos enfrentam desafios orçamentais severos:

  • Aumento constante dos preços de alojamento gerido e limitações agressivas de recursos (inodes, trabalhadores PHP concorrentes e limites de largura de banda).
  • Proliferação de modelos de subscrição dispendiosos no mercado de plugins, onde extensões básicas de formulários ou cópias de segurança passaram a exigir taxas anuais cumulativas que asfixiam os pequenos orçamentos.
  • Complexidade acrescida no desenvolvimento de temas e blocos, exigindo ferramentas de compilação modernas (Node.js, Webpack, Vite) que afastam os utilizadores menos técnicos do processo de personalização.

Ao apagar estas dificuldades da narrativa, o relatório transmite a mensagem involuntária de que o ecossistema do WordPress.org só tem olhos para os orçamentos milionários das grandes empresas da Fortune 500.

#Retórica vazia sobre inteligência artificial versus a realidade técnica do editor de blocos

O texto do relatório aposta fortemente em terminologia da moda corporativa, com expressões como «sistema operativo de conteúdo inteligente» e «ecossistema multiagente e independente do modelo de linguagem» (tradução própria). No entanto, quando despido desses chavões, o documento não oferece substância técnica sobre como essas tecnologias se integram com os padrões abertos da web.

Mais grave ainda é o silêncio em torno da evolução prática das ferramentas essenciais do dia a dia. Como está a ser a taxa de adoção real do Full Site Editing (FSE) em sites de produção em comparação com temas clássicos? Quais foram os ganhos concretos de desempenho obtidos com a Interactivity API, introduzida no WordPress 6.5? Que desafios persistem no controlo de inchaço do DOM gerado por blocos complexos de navegação? Estas são as variáveis que impactam as pontuações de Core Web Vitals e velocidade do WordPress, mas foram relegadas para segundo plano em favor de frases feitas de marketing.


#Quantas vezes o relatório envia o leitor para a Human Made

A prova mais clara de que o documento é marketing não é o tom, mas os apelos à ação, que se podem contar no PDF:

  • no capítulo sobre Full Site Editing: o convite para auditar a plataforma atual com parceiros «como nós»,
  • no capítulo sobre IA: o convite para trabalhar com uma agência «como a nossa» para perceber o que é compatível com o futuro do WordPress,
  • no capítulo final: o convite para falar com uma agência «como a nossa» sobre interatividade, personalização, experimentação e análise,
  • uma faixa da WP:25, a conferência virtual da Human Made de 6 de março de 2025, na página 2 e de novo na última página, ambas com botão de inscrição,
  • o endereço de e-mail do autor para contactos comerciais na última página.

A própria publicação no WordPress.org repete o convite para o evento, e a ligação para a inscrição na WP:25 inclui parâmetros de rastreio, entre eles utm_medium=Noel sales outreach.

O relatório também não contém dados sobre o WordPress.org: nem números de transferências, nem números dos diretórios de plugins e temas, nem contagem de contribuidores, nem histórico de versões, nem estatísticas de segurança. A única métrica do projeto é o número de commits do Gutenberg. Krol chegou à mesma conclusão e escreveu que este conteúdo «deveria ser identificado como anúncio ou como alguma forma de ‘conteúdo de parceiro’» (tradução própria, WPShout). Concordo. Publicar material de um fornecedor no site de notícias do projeto é uma escolha que o projeto pode fazer, mas o leitor deve saber o que está a ler.

Por justiça para com a empresa do autor: a Human Made contribui. A sua página de compromisso Five for the Future, consultada em outubro de 2026, indica 16 contribuidores patrocinados e 118 horas por semana em 13 equipas, incluindo Core, Core Performance, Accessibility, Polyglots e Core AI. A crítica diz respeito ao local e à forma como o relatório foi publicado, não ao contributo da agência para o projeto.


#O risco de transformar o WordPress.org num canal de relações públicas corporativo

A crítica formulada pelos membros mais experientes da comunidade não decorre de ressentimento, mas sim de um imperativo de integridade técnica. A publicação deste tipo de documento diretamente no domínio WordPress.org confere-lhe uma chancela de neutralidade e consenso que ele, pura e simplesmente, não possui.

O relatório reflete as prioridades comerciais, a carteira de clientes e o posicionamento de mercado de uma agência de consultoria específica, a Human Made. Não há nada de ilegítimo no facto de uma empresa promover a sua visão da indústria e partilhar estudos de caso sobre grandes migrações corporativas nos seus próprios canais de comunicação. Contudo, apresentar essas conclusões particulares como o estado oficial de toda a plataforma comunitária altera profundamente a natureza institucional do WordPress.org.

Os projetos de código aberto prosperam quando mantêm a coragem de expor as suas imperfeições, analisar as causas de falha em lançamentos de versões e envolver os utilizadores na resolução dos estrangulamentos arquiteturais. Quando o portal principal de um ecossistema aberto adota a linguagem polida e higienizada das grandes corporações tecnológicas, perde o ativo mais valioso que construiu em duas décadas: a confiança incondicional dos seus programadores.

Como sugeriu Krol, se o mesmo estudo tivesse sido publicado no portal institucional da agência sob o título «O WordPress no Segmento Enterprise em 2025», teria sido aplaudido como uma peça valiosa de inteligência de mercado. A sua inserção como o balanço oficial da comunidade no WordPress.org foi, inequivocamente, uma oportunidade desperdiçada.


#O que o WordPress.org publicou nos meses anteriores ao relatório

As omissões avaliam-se melhor ao lado daquilo que o próprio site de notícias do WordPress.org publicou nos cinco meses anteriores ao relatório.

A 21 de setembro de 2024, Matt Mullenweg publicou WP Engine is not WordPress. Escreve que a WP Engine precisa de uma licença de marca para continuar o seu negócio, critica o fornecedor por desativar por omissão as revisões de artigos e compara os compromissos Five for the Future: segundo a publicação, a WP Engine contribuía com 40 horas por semana e a Automattic com 3915 horas por semana.

Quatro dias depois, a 25 de setembro de 2024, uma segunda publicação, WP Engine is banned from WordPress.org, anunciou que, enquanto durassem as suas pretensões legais e o litígio contra o WordPress.org, a WP Engine deixava de ter acesso gratuito aos recursos do WordPress.org. A publicação enumera o que isso abrange, desde os servidores de atualização e os diretórios de plugins e temas até às traduções, aos fóruns e ao sistema de registo de erros.

A 12 de outubro de 2024, a equipa de segurança do WordPress anunciou Secure Custom Fields. A publicação invoca o ponto 18 das diretrizes do diretório de plugins para bifurcar o Advanced Custom Fields num novo plugin. Indica que os sites com atualizações automáticas do WordPress.org ativas passariam automaticamente do ACF para o Secure Custom Fields, e que a WP Engine tinha mudado as atualizações do ACF para os seus próprios servidores. Classifica a situação como rara e invulgar e atribui-a aos ataques legais da WP Engine.

No meio ano anterior a fevereiro de 2025, o WordPress.org News publicou, portanto, artigos sobre uma disputa de marca com um grande fornecedor de alojamento e sobre a tomada de controlo de um dos plugins mais instalados do diretório. Um relatório sobre o estado do WordPress que surge no mesmo site meses depois e não menciona nenhum destes acontecimentos não é neutro. É seletivo.


#O que deveria conter uma verdadeira avaliação de estado do ecossistema

Para que um relatório anual sirva verdadeiramente os interesses de arquitetos de software, diretores de tecnologia e utilizadores finais, deveria assentar em métricas auditáveis e análises empíricas. Um modelo rigoroso de relatório para 2025 e 2026 deveria incorporar obrigatoriamente os seguintes vetores:

#1. Telemetria de segurança e ciclo de vida de vulnerabilidades

A fiabilidade de uma plataforma mede-se pela rapidez e eficácia com que mitiga riscos de intrusão. O ecossistema beneficiaria imensamente da inclusão de dados consolidados sobre segurança aplicacional, tais como:

  • Volume total de vulnerabilidades reportadas em plugins e temas através de programas coordenados de divulgação responsável (VDP) e bug bounty.
  • Distribuição percentual dos vetores de ataque mais recorrentes (como a persistência histórica de vulnerabilidades de Cross-Site Scripting e CSRF em extensões legadas).
  • Prazos médios decorridos entre a sinalização de uma vulnerabilidade crítica e o lançamento de uma versão corretiva no repositório oficial.
  • Percentagem de instalações ativas que continuam a executar código abandonado há mais de dois anos, fornecendo recomendações claras de auditoria de segurança WordPress.

#2. Adoção arquitetural e desempenho no mundo real

Em vez de generalizações sobre modernização, a comunidade técnica necessita de indicadores objetivos sobre a evolução da base de código:

  • Métricas de desempenho agregado nos relatórios Chrome UX Report (CrUX), discriminando o impacto do Full Site Editing face a temas tradicionais nas métricas Largest Contentful Paint (LCP) e Interaction to Next Paint (INP).
  • Taxas de migração efetivas para versões modernas do interpretador PHP (PHP 8.2 e PHP 8.3).
  • Estatísticas reais sobre a penetração de arquiteturas desacopladas com recurso a desenvolvedores headless CMS baseados em Astro ou Next.js.

#3. Dinâmica económica e sustentabilidade das contribuições

Um balanço representativo deveria quantificar:

  • O número de horas de trabalho dedicadas por semana a iniciativas do programa Five for the Future, estratificado por empresas patrocinadoras e contribuidores individuais independentes.
  • A concentração do mercado de extensões e serviços de alojamento, avaliando o impacto de aquisições de empresas na diversidade da oferta disponível para o consumidor final.
  • O índice de satisfação e as principais barreiras relatadas por programadores juniores e seniores ao submeter código para revisão nos repositórios comunitários.

A escala do dinheiro envolvido não está em dúvida. Na publicação de setembro de 2024 citada acima, Mullenweg escreveu que só a WP Engine fatura cerca de meio milhar de milhões de dólares sobre o WordPress. Um relatório que queira explicar onde está o WordPress deveria mostrar quanto desse valor regressa ao projeto.


#Lições estratégicas para empresas e programadores em 2026

Perante o cenário de polarização e as narrativas promocionais que marcaram o início de 2025, os profissionais e empresas que operam com WordPress devem adotar uma postura de prudência arquitetural e autonomia técnica.

A primeira diretriz reside em mitigar o aprisionamento tecnológico. Depender de soluções proprietárias fechadas ou de fornecedores de infraestrutura que condicionam o acesso a repositórios externos acarreta riscos contratuais substanciais. Manter o código fonte em repositórios Git independentes, estruturar processos de integração contínua (CI/CD) desvinculados do painel do alojador e recorrer a imagens de contentores padronizadas garante que uma aplicação possa ser transposta para outro fornecedor de nuvem em poucas horas caso ocorram ruturas operacionais. O episódio do ACF mostra porquê: sites que dependiam de um único canal de atualizações foram trocados para outro plugin sem que ninguém da equipa do projeto lhes tocasse.

Em segundo lugar, impõe-se uma disciplina férrea na gestão da cadeia de abastecimento de software (supply chain). A proliferação desregulada de plugins de terceiros deve ser substituída pelo desenvolvimento interno de blocos sob medida utilizando componentes semânticos do ecossistema Gutenberg. Menos dependências externas significam menores superfícies de ataque, menos quebras em atualizações de versão e custos de manutenção drasticamente reduzidos ao longo do ciclo de vida do projeto.

Por fim, torna-se essencial valorizar o diálogo comunitário crítico. Participar ativamente em meetups locais e WordCamps, contribuir para a documentação e exigir clareza aos órgãos de governança do projeto são atitudes indispensáveis para garantir que o WordPress permaneça o património aberto e democrático que transformou a internet.

#Pontos fortes e fracos do relatório WordPress 2025

O relatório «WordPress em 2025» tem méritos. Destaca forças reais, como a flexibilidade do código aberto e a adoção empresarial crescente. As observações sobre projetos headless híbridos e temas de blocos são práticas, e o aviso de que os artigos de IA produzidos em massa não vão posicionar é certeiro. Contudo, o foco estreito e as omissões estratégicas fazem com que se obtenha uma versão feita à medida das administrações em vez de um retrato completo. Para uma plataforma construída sobre a abertura, é uma troca significativa.

Caso a sua organização procure avaliar a segurança da sua infraestrutura, desenhar arquiteturas à prova de contingências ou modernizar portais corporativos complexos, faço essa consultoria técnica pessoalmente; o pedido entra pela página de contacto.

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Perguntas frequentes

Respostas práticas para aplicar o tema na execução real.

Por que razão o relatório WordPress in 2025 foi recebido com ceticismo#
Porque, em vez de fornecer um panorama equilibrado sobre a saúde técnica e institucional do ecossistema, limitou-se a uma narrativa comercial corporativa, omitindo debates cruciais sobre governança e licenciamento. É a minha opinião; as omissões podem ser verificadas no PDF.
Quem escreveu o relatório WordPress in 2025#
Noel Tock, coproprietário da agência empresarial Human Made, WordPress VIP Gold Partner. O relatório foi publicado no WordPress.org News a 15 de fevereiro de 2025.
Que temas essenciais foram omitidos do documento oficial#
Ficaram de fora a saturação de custos no alojamento para pequenas empresas, o esgotamento de contribuidores voluntários, as disputas legais com a WP Engine e as métricas reais de adoção do Full Site Editing.
Como deveria ser estruturado um relatório genuinamente representativo#
Deveria conjugar indicadores de sucesso empresarial com telemetria técnica de desempenho, dados reais de segurança em plugins e uma avaliação honesta da governança open source.

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