O WordPress 7.0 “Armstrong” saiu a 20 de maio de 2026 e o WordPress 7.1 “Mary Lou” a 19 de agosto de 2026. O roadmap oficial prevê a 7.2 para 10 de dezembro de 2026 e avisa que estas datas servem “apenas para um planeamento aproximado” (tradução própria). Uma previsão para 2027 já pode assentar num ano de versões reais: o que saiu, o que foi retirado à última hora e o que não tem data nenhuma.
Este artigo mantém essas três coisas separadas. Cada previsão abaixo é a opinião da nossa equipa de desenvolvimento WordPress, e cada uma remete para o anúncio ou a publicação de Core de onde nasce. Onde o projeto não publicou nada, dizemo-lo em vez de preencher a lacuna.
O que o WordPress 7.0 e 7.1 trouxeram em 2026
Este ano chegaram duas versões principais. A tabela reúne o que importa para 2027, com base no anúncio da versão 7.0 e no WordPress 7.1 Field Guide.
| Versão | Data | O que mudou para programadores e donos de sites |
|---|---|---|
| 7.0 “Armstrong” | 20 de maio de 2026 | Novo esquema de cores no admin, Command Palette a partir da barra de administração (Ctrl+K ou Cmd+K), AI Client e ecrã Connectors, pacote Client-Side Abilities, página de gestão de tipos de letra, revisões visuais, blocos Gallery, Heading, Breadcrumbs e Icons, CSS próprio por bloco, registo de blocos só com PHP |
| 7.1 “Mary Lou” | 19 de agosto de 2026 | Estilos responsivos para tablet e telemóvel em Global Styles, SVG Icon API, editor de artigos sempre em iframe, filtragem e hooks de ciclo de vida na Abilities API, APIs DataViews, DataForm e View Config, processamento de media no navegador, scroll infinito na biblioteca multimédia |
O Field Guide da 7.1 conta mais de 310 tickets do Core Trac, mais de 100 deles melhorias e mais de 180 correções de erros. A página de gestão de tipos de letra da 7.0 funciona com temas de blocos, híbridos e clássicos, o que importa na secção sobre temas mais abaixo.
O que não saiu: colaboração em tempo real e React 19
O roadmap descreve a Fase 3 do Gutenberg como “centrada na edição colaborativa e nos fluxos de trabalho” e promete “colaboração em tempo real e processos de publicação mais fluidos” (tradução própria, roadmap do WordPress). É a funcionalidade principal da fase e já falhou duas versões seguidas.
- 7.0: o anúncio da versão não menciona colaboração em tempo real.
- 7.1: a publicação Roadmap to 7.1 ainda tinha perguntas em aberto sobre o âmbito (uma funcionalidade completa ou apenas a arquitetura de base) e sobre o mecanismo de armazenamento. Um esforço de divulgação sobre edição colaborativa recrutou testers através do plugin Gutenberg. O Field Guide diz depois que a funcionalidade “foi amplamente testada e recebeu muito feedback durante o ciclo do WordPress 7.1, mas não está ativada na versão final” (tradução própria).
- React 19: a atualização a partir do React 18 também foi adiada para depois da 7.1 e continua como experiência no plugin Gutenberg.
Os responsáveis pela 7.1 foram claros sobre a escolha. O Field Guide cita Anne McCarthy: “às vezes o que não acrescentamos vale mais do que o que acrescentamos” (tradução própria).
A nossa previsão: a coedição em tempo real chega ao core durante 2027, depois de pelo menos mais um ciclo no plugin Gutenberg. Até lá mantém-se o bloqueio de artigos, por isso duas pessoas não editam o mesmo artigo ao mesmo tempo. Equipas que precisam hoje de edição simultânea podem testá-la no plugin num site de staging, nunca em produção.
O novo admin do WordPress vai substituir o wp-admin
O menu lateral esquerdo do wp-admin acompanha-nos desde o WordPress 2.7 (2008). O resumo do State of the Word 2023 disse que o redesenho do admin “vai inspirar-se no Site Editor e acabará por permitir aos utilizadores moldar a experiência de administração às suas necessidades” (tradução própria). É a direção declarada e não tem data.
O que realmente saiu é gradual. A 7.0 trouxe um painel renovado e a Command Palette. A publicação Roadmap to 7.1 lista um ecrã Design e Identity para as definições de identidade do site, um Site Editor que segue o esquema de cores do admin, melhorias na barra de administração e a migração de DataViews para as novas primitivas do Design System.
Painel e Site Editor numa só interface
Esperamos que a distinção entre “o Painel” e “o Site Editor” continue a esbater-se, ecrã a ecrã, à medida que DataViews substitui as antigas tabelas de listagem. É uma previsão, não uma funcionalidade anunciada:
- Edição contextual: não vai a “Definições” para alterar o título do site. O ecrã Identity previsto é um primeiro passo: junta as definições de identidade num só lugar.
- JavaScript-first: esperamos que mais ecrãs do admin se comportem como uma Single Page Application, com transições instantâneas e sem recarregamento completo ao guardar. O Site Editor já ganhou encaminhamento e um pacote
wordpress/bootna 7.0 para plugins que criam páginas próprias no Site Editor. - Personalização: as agências poderiam adaptar a experiência de administração de forma nativa, bloqueando blocos específicos e aplicando a marca na interface sem mexer no
functions.php. Para equipas que entregam sites a editores sem perfil técnico, é essa a parte que conta no dia a dia.
A nossa aposta para 2027: o menu lateral clássico continua a existir no fim do ano, com menos ecrãs por trás renderizados à maneira antiga.
Competências de React e REST API para programadores WordPress
Programadores que construíram a carreira em hooks PHP para personalizar o admin vão precisar de um conjunto de ferramentas mais amplo. React e a REST API do WordPress passam de “bom de ter” a base. O lado PHP mantém o seu valor: a 7.0 acrescentou o registo de blocos e padrões só com PHP, por isso quem trabalha no servidor pode publicar blocos sem um passo de compilação de JavaScript.
Saiba mais sobre desenvolvimento WordPress profissional na WPPoland.
O que significa o projeto Data Liberation do WordPress
No State of the Word 2023, em Madrid, a 11 de dezembro de 2023, Matt Mullenweg apresentou o Data Liberation como foco adicional para 2024, “com o objetivo de tornar a importação de outras plataformas para o WordPress o mais simples possível” (tradução própria, resumo oficial). O resumo acrescenta que a iniciativa “vai trabalhar na migração com um clique e no formato de exportação do WordPress” (tradução própria).
A página do Data Liberation descreve agora cinco fases:
| Fase | Âmbito | Estado segundo a página |
|---|---|---|
| 1. Guias de migração | Guias passo a passo para sair de plataformas como Wix, Figma ou HTML estático | Em curso |
| 2. Importação e exportação de dados estruturados | Atualizar ligações, copiar media, recuperar de erros, sites grandes | Em curso |
| 3. Libertar dados de plataformas fechadas | Ferramentas para extrair media, conteúdo e design | Iniciada |
| 4. Sincronização direta entre sites WordPress | Manter dois sites WordPress sincronizados | Futura |
| 5. Centro de criação de conteúdo | WordPress como centro local e sincronizado para notas, ebooks e publicações sociais | Futura |
A Fase 4 do Data Liberation (sincronização de sites) não é a mesma coisa que a Fase 4 do Gutenberg (multilingue). Os dois roadmaps numeram as fases de forma independente.
Para a Fase 3, a página refere o Studio da WordPress.com e o seu plugin-agente open source de libertação de dados, com ferramentas próprias para GoDaddy Websites & Marketing, Hostinger Website Builder, HubSpot, Shopify, Squarespace, Webflow, Weebly e Wix.
Como evitar o vendor lock-in com o WordPress
Historicamente, as plataformas SaaS dificultam levar o conteúdo para outro lado. O Data Liberation vai no sentido contrário:
- Formato de exportação: a Fase 2 é o trabalho de importação e exportação estruturada. A nossa previsão é que até ao fim de 2027 mudar um site completo (conteúdo, media e design) entre alojamentos WordPress passe a ser um passo de rotina, em vez de ficheiros WXR fragmentados que perdem imagens e metadados.
- Importação de qualquer lado: o Data Liberation não é só sair. As ferramentas da Fase 3 visam a migração para o WordPress a partir de construtores fechados.
- Porquê: ao facilitar a saída, o WordPress dá às pessoas uma razão para confiar nele e ficar.
Data Liberation e WordPress nas grandes empresas
Para grandes organizações, um caminho de saída documentado elimina uma das objeções habituais ao WordPress: o risco de ficar preso ao fornecedor. Um CTO ou arquiteto empresarial pode aprovar o WordPress sabendo que existe uma saída limpa. Na nossa opinião, isto ajuda a adoção empresarial mais do que a prejudica.
Os temas de blocos vão substituir os temas clássicos do WordPress
O que será um tema em 2027? Para projetos novos, quase de certeza um tema de blocos. Para sites existentes, o projeto não força a mudança: a página de gestão de tipos de letra da 7.0 suporta temas clássicos, e o Field Guide regista que a proposta de esconder o bloco Classic do inseridor na 7.1 foi revertida, por isso o bloco Classic continua disponível.
theme.json, estilos globais e padrões de blocos
- Estilos globais: a identidade visual de um site é definida no
theme.json. Cores, tipografia, espaçamento e sombras vivem num único ficheiro de configuração declarativo. A 7.1 acrescentou estilos responsivos por tamanho de ecrã, em Global Styles e em blocos individuais, o que elimina um motivo comum para escrever CSS próprio. - Bibliotecas de padrões: um “tema” passa cada vez mais a ser uma coleção curada de padrões de blocos. A 7.0 também permite separar um padrão do original para o editar de forma isolada.
- Menos temas-filho: os temas-filho deixam de ser necessários para sobrepor estilos. Usa-se a interface de Global Styles e exportam-se as alterações como uma variação, o que também elimina uma fonte comum de falhas: conflitos entre tema-pai e tema-filho.
A nossa previsão: os temas PHP clássicos continuam a funcionar durante todo o ano de 2027, e o trabalho novo das agências começa por defeito com temas de blocos.
Como as agências ganham dinheiro sem temas premium
As agências que vendiam temas premium empacotados precisam de outro modelo de negócio. Esperamos que o valor passe para:
- Sistemas de design: bibliotecas de padrões coerentes e escaláveis para uma marca específica.
- Tradução da marca: transformar a identidade de marca numa configuração
theme.jsonprópria. - Migração e otimização: levar clientes de temas PHP antigos para uma arquitetura de blocos moderna.
Funcionalidades de IA que já estão no core do WordPress
A IA já não é território exclusivo dos plugins. O roadmap fixa como objetivo para 2026 “integrar a IA de forma intencional em toda a experiência WordPress para simplificar a criação, os fluxos de trabalho e a contribuição”, com “diretrizes para todo o projeto que garantam transparência, controlo do utilizador e os valores do WordPress” (tradução própria, roadmap).
O que existe hoje no core:
- Abilities API: introduzida no WordPress 6.9. O Field Guide diz que a 7.1 torna as abilities “mais fáceis de descobrir, expor, validar e integrar com clientes externos” (tradução própria), acrescentando filtragem em
wp_get_abilities(), hooks do ciclo de execução e uma flag unificada de exposição pública. - AI Client: a 7.0 acrescentou um AI Client que permite ao WordPress comunicar com modelos de IA generativa. As ligações a fornecedores externos gerem-se no ecrã Connectors, que traz três predefinições e permite acrescentar outras.
- Client-Side Abilities: a contraparte JavaScript da Abilities API, com interface própria e integração na Command Palette.
As funcionalidades de escrita que as pessoas associam a “IA no WordPress” estão num plugin de IA opcional, não no core. Segundo o anúncio da 7.0, acrescenta geração e edição de imagens, criação de títulos e excertos e sugestões de texto alternativo. As sugestões de texto alternativo ajudam a acessibilidade só se um editor as rever, por isso convém tratá-las como rascunhos.
Para onde aponta a IA do WordPress em 2027
A publicação Roadmap to 7.1 incluía streaming de geração e embeddings para o AI Client, e descrevia os embeddings como forma de representar o conteúdo “como vetores para permitir pesquisa por significado em todo o site” (tradução própria). Incluía também Guidelines (regras editoriais ligadas às ferramentas de IA, com importação e exportação entre sites) e autenticação de Connectors para além das chaves de API.
A nossa previsão: a pesquisa por significado baseada em embeddings será em 2027 a primeira funcionalidade de IA que os visitantes comuns vão notar. Os fornecedores de modelos continuam externos, por isso a fatura do fornecedor e o acordo de tratamento de dados passam a fazer parte do âmbito de cada projeto com IA.
Tradução assistida por IA no editor de blocos
Se a Fase 4 do Gutenberg (multilingue) alguma vez se juntar ao AI Client, a tradução assistida dentro do editor é o caso de uso evidente: um editor escreve numa língua e recebe rascunhos noutras que precisam de revisão humana. Nenhuma versão de 2026 traz isto, por isso continua a ser uma previsão.
WordPress multilingue nativo no core sem WPML
Há anos que precisamos do WPML ou do Polylang. O roadmap inclui o multilingue como Fase 4 do Gutenberg, descrita apenas como “implementação no core para sites multilingues” (tradução própria). A página do manual de programadores sobre WordPress multilingue continua a dizer: “atualmente o WordPress não suporta de origem um blog bilingue ou multilingue” (tradução própria).
Nem a 7.0 nem a 7.1 contêm trabalho multilingue no core. O mais próximo na publicação Roadmap to 7.1 é um suporte Unicode mais amplo para endereços de email.
Traduções no esquema de base de dados do core
Esperamos que a Fase 4 só arranque depois de a colaboração da Fase 3 chegar, o que coloca o multilingue nativo depois de 2027. Quando chegar:
- Esquema de base de dados padronizado: o core suportaria traduções oficialmente, sem tabelas de plugins como a
wp_icl_translationsdo WPML acrescentadas ao lado. - Desempenho: o suporte nativo de consultas eliminaria as consultas e joins extra que os plugins de tradução acrescentam hoje.
- Impacto: um grande segmento do mercado de plugins iria encolher. Para empresas portuguesas que vendem também para Espanha ou em inglês, uma configuração única suportada pelo core seria uma simplificação real.
Estratégia de conteúdo multilingue num só site WordPress
Até lá, a escolha prática continua a ser um plugin ou uma rede Multisite com um site por língua. Um único site WordPress pode hoje servir várias línguas com URLs limpos e hreflang, mas através de um plugin. Se a visibilidade nos motores de pesquisa em vários mercados lhe interessa, conheça o nosso serviço de otimização GEO e LLMO.
Como mudam as agências e os plugins WordPress até 2027
Que serviços as agências WordPress vão oferecer em 2027
“Instalar o WordPress e escolher um tema” deixa de ser um serviço pelo qual alguém paga. Esperamos que as agências bem-sucedidas se concentrem em:
- Arquitetura de soluções: escolher a combinação certa de core, plugins e serviços externos para cada caso de negócio.
- Integração de IA: registar abilities, configurar Connectors e escrever Guidelines para o fluxo editorial de cada cliente.
- Estratégia de conteúdo global: gerir sites multilingues com os plugins atuais enquanto se planeia a solução do core.
- Desempenho em escala: manter sites empresariais dentro de bons valores de Core Web Vitals sob carga elevada.
Que plugins WordPress vão perder relevância
Primeiro perdem relevância os plugins que duplicam o que passou para o core: conjuntos de ícones (SVG Icon API na 7.1), gestores de tipos de letra (página de gestão de tipos de letra na 7.0), extras para mostrar ou esconder blocos por dispositivo e conectores de IA básicos. Os que tendem a prosperar oferecem funcionalidade realmente especializada: integrações com CRM, lógica de negócio própria e ferramentas de nicho que o core nunca vai cobrir. Os plugins multilingues continuam necessários durante todo o ano de 2027.
Como preparar o seu site WordPress para 2027
Nada disto exige esperar por uma versão. Estes passos compensam seja qual for o rumo do roadmap:
- Use temas de blocos nos projetos novos: se ainda usa um tema PHP clássico, planeie a transição para um tema de blocos (FSE). Quanto mais esperar, mais código próprio vai arrastar.
- Teste o editor em iframe: a 7.1 tornou o editor de artigos baseado em iframe em todos os sites, incluindo os que registam meta boxes antigas. Verifique em staging os estilos próprios do editor e os plugins com meta boxes.
- Adote theme.json e estilos responsivos: defina os estilos do site no
theme.jsonem vez de CSS próprio. - Registe abilities para as suas funcionalidades: se mantém um plugin que expõe ações, é pela Abilities API que os clientes de IA e a Command Palette lhes vão chegar.
- Planeie o multilingue: estruture o conteúdo a pensar em traduções, para que uma futura passagem do WPML ou Polylang para uma solução do core seja mais fácil.
- Experimente a colaboração em tempo real no plugin Gutenberg em staging: vai saber antes da versão final se encaixa no seu fluxo editorial.
Onde acompanhar o roadmap do WordPress
Três fontes respondem à maioria das perguntas antes de se transformarem em rumores. O blog Make WordPress Core publica uma publicação “Roadmap to” no início de cada ciclo e um Field Guide na fase de release candidate, e o Field Guide é a lista de referência do que saiu e do que foi retirado. A página do roadmap dá a visão das fases e as datas previstas. As palestras do WordCamp Europe e do WordCamp US são publicadas no WordPress.tv e são uma forma gratuita de acompanhar para onde os contribuidores do core levam estes projetos.
Conclusão
Em 2027 esperamos que o WordPress seja menos uma “ferramenta de blogging” e mais um sistema operativo para a web: a camada base de propriedade dos dados, gestão de utilizadores, abilities e renderização de blocos sobre a qual se constrói tudo o resto.
Para programadores, a consequência prática é construir a partir de blocos: blocos próprios registados com block.json ou com registo só em PHP, temas de blocos com theme.json, ações expostas como abilities e conteúdo guardado em estruturas que os importadores e exportadores do Data Liberation consigam ler. O código construído à volta do editor clássico e dos shortcodes é a parte com mais probabilidade de precisar de ser refeita, mesmo que o core continue a suportá-la.
O futuro é aberto. Está preparado? Saiba mais sobre desenvolvimento WordPress profissional na WPPoland.







